O que poderemos fazer para salvar as livrarias?

Depois de alguns meses sem escrever nesse espaço, uma manchete do Jornal Tribuna do Norte do último dia 01 de fevereiro de 2019, impôs-me a obrigação de restabelecer o nosso contato. E você deve perguntar: que manchete tão importante foi essa que o fez voltar a escrever?

Segue o texto: “As livrarias estão desaparecendo do Brasil”

Com certeza você já deve ter ouvido alguém afirmando que não está conseguindo ler pois o tempo anda curto, embora o dia permaneça tendo 24h, as semanas 7 (sete) dias, os meses com média de 30 (trinta) dias e os anos com 12 (doze) meses.

Sem dúvida, a vida moderna incorporou algumas características que, certamente, irão provocar problemas em um futuro próximo. A conexão 24h à internet, através de um smartphone, ampliou o nosso acesso à informação, possibilitou termos respostas para tudo, porém, ao mesmo tempo, retirou-nos o importante hábito da leitura continua e detalhada, fazendo com que as pessoas tenham opinião sobre tudo, em que pese de modo quase sempre superficial.

Percebemos claramente quanto tempo as pessoas passam vidradas nas telinhas de um celular e, o que tem sido ainda mais grave, como é difícil ficar longe dele.

Como professor universitário, tenho insistido em cobrar dos alunos o restabelecimento do hábito da leitura, acompanhado da afirmação de que “quem não gosta de ler, com certeza terá dificuldade de escrever.”

Em pesquisas feitas sempre no primeiro dia de aula, em uma breve apresentação da disciplina, das perspectivas profissionais da área jurídica e dos próprios alunos, tenho me deparado com afirmações que apontam que a leitura deixou de ser prioridade. Daí surgiu a necessidade de pensar o que fazer para mudar esse quadro.

Adaptando uma experiência que tive durante o mestrado, no início do semestre do ano de 2018, lancei um desafio às turmas para que os alunos escolhessem um livro para leitura durante a minha disciplina. Detalhe: o assunto e o tamanho ficariam à critério do aluno. Apenas para forçar a escolha imediata e, naturalmente, estabelecer um marco inicial, disponibilizei um formulário para que todos indicassem o livro, o autor, o ano, a editora e o número de páginas. Por fim, aprazei a última aula para que fosse possível fazermos uma mesa redonda, com apresentação de uma pequena resenha dos livros lidos.

Passados aproximadamente 4 (quatro) meses, reuni a turma para a prometida mesa redonda e, apesar da surpresa de saber que apenas 20% (vinte por cento) dos alunos haviam cumprido o desafio, as resenhas apresentadas e, em especial, a informação relativa ao tempo utilizado para a leitura, levou-me à conclusão de que ainda vale a pena lutar para restabelecer ou até mesmo criar o hábito da leitura.

Acredito que isso tenha sido um bom começo, no entanto, reconheço que ainda é muito pouco. Afinal, sempre tenho tido a sensação de que, apesar da produção literária e científica no Brasil ser considerada imensa, as bibliotecas, as livrarias e os cebos têm diminuído com o tempo. Recentemente, inclusive, a imprensa nacional noticiou a crise financeira das principais editoras do país.

Exatamente por isso decidi renovar o desafio da leitura para as turmas do semestre 2019.1 e, tomando emprestado o subtítulo da coluna de José Francisco Botelho, da Revista Veja da semana, ratificar que “A cura do cibervício está em uma invenção ancestral: o livro”, que também servirá para salvar as livrarias.

*Carlos Kelsen Silva dos Santos é advogado Sócio do Lucio Teixeira dos Santos advogados, Professor Universitário - UNP, Mestre em Administração pela Universidade Potiguar, Especialista em Direito Privado: Civil e Empresarial e Autor do Livro: Planejamento Estratégico em Escritórios de Advocacia: a importância de planejar a prestação de serviços.

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